14 de junho de 2026

The Economist: “Brasil dá lição de maturidade democrática”

Julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado também serve de teste de como os países se recuperam de uma febre populista
Crédito: Reprodução/ The Economist

A capa da revista The Economist desta semana traz o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caracterizado como um dos apoiadores do presidente norte-americano de Donald Trump, que em 2021 invadiram o Capitólio, em Washington, na tentativa de impedir a diplomação do presidente eleito Joe Biden.

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Mais que uma referência, o veículo defende que o julgamento do ex-presidente brasileiro investigado por liderar a tentativa de golpe de Estado é uma lição de maturidade democrática aos EUA, além de servir de “teste de como os países se recuperam de uma febre populista”.

“Imaginem um país onde um presidente polarizador perdeu sua tentativa de reeleição e se recusou a aceitar o resultado. Ele declarou a votação fraudada e usou as redes sociais para incitar seus apoiadores a se rebelarem. Eles o fizeram aos milhares, atacando prédios do governo. Então, a insurreição fracassou, o ex-presidente enfrentou uma investigação criminal e os promotores o levaram a julgamento por planejar um golpe. Isso soa como uma fantasia da esquerda americana. Na outra grande democracia do hemisfério, é realidade”, inicia a The Economist.

Referindo-se a Bolsonaro como “o Trump dos trópicos”, a revista lembra que o julgamento está marcado para 2 de setembro e que as evidências “parecem um flashback do passado turbulento do Brasil”, uma vez que militares conspiraram para anular o resultado das urnas, além de planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL). “Como nossa investigação sobre a conspiração explica, o golpe fracassou por incompetência e não por intenção.”

Condenação

Ao apostar na condenação de Bolsonaro e associados, o veículo coloca o Brasil como “um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”, em comparação à Polônia, Reino Unido, Israel e, claro, Estados Unidos.

“Os dois países parecem estar trocando de lugar. Os Estados Unidos estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump esta semana mexendo com o Federal Reserve e ameaçando cidades controladas pelos democratas. Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o próprio país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia. Um dos motivos pelos quais o Brasil promete ser diferente de outros países é que a memória da ditadura ainda está fresca. A democracia foi restaurada em 1988. O Supremo Tribunal, moldado pela “constituição dos cidadãos” promulgada naquela época, ainda se vê como um baluarte contra o autoritarismo.”

Outro ponto que levou Bolsonaro ao júri é que, no Brasil, a maioria da população tem consciência sobre os crimes de Bolsonaro e acredita que o ex-presidente tentou dar um golpe para se manter no poder.

Candidatos da direita à presidência em 2026 também disputam a herança bolsonarista, apesar de discordarem do estilo político do líder do clã Bolsonaro.

“A maioria dos políticos brasileiros, de esquerda e direita, quer deixar para trás a loucura de Bolsonaro e sua polarização radical. Dos figurões empresariais em São Paulo aos políticos de Brasília, há um acordo surpreendente sobre uma agenda difícil, mas urgente, de mudança institucional.”

Sanções

A reportagem destaca ainda a interferência de Trump na soberania brasileira ao acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de caça às bruxas. O chefe de Estado norte-americano também impôs tarifas de 50% sobre produtos de origem brasileira e a lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo de Bolsonaro.

“Felizmente, a interferência de Trump provavelmente terá um efeito contraproducente. Apenas 13% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos, e consistem principalmente de commodities, para as quais novos mercados podem ser encontrados. Os EUA já concederam inúmeras isenções. Até agora, os ataques de Trump apenas fortaleceram a posição de Lula nas pesquisas de opinião e lhe deram uma desculpa para qualquer notícia econômica ruim antes da próxima eleição, em outubro de 2026.”

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    29 de agosto de 2025 9:46 am

    “Precisa ver como sonegar isso’, diz conversa captada em operação contra PCC

    A história é contada pelo procurador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, João Paulo Gabriel”

    O Bolsonaro fez escola. Seus pupilos aprenderam direitinho a lição:

    “Bobos somos nós que estamos pagando imposto aqui embaixo. Aliás, conselho meu e eu faço: sonego tudo que for possível. Se puder não pagar nota fiscal eu não pago, porque o dinheiro vai para o ralo, vai para a sacanagem”. – Bolsonaro

  2. Lênin and The Ulianovs

    29 de agosto de 2025 10:08 am

    Uau, agora sim, agora vamos.

    Foi essa mesma cloaca editorial que fez o Cristo decolar, e depois o derrubou.

    Que aplaudiu a farsa jato, que esculhambou o PT e Lula.

    Agora, “o Brasil dá aula”…

    Aula de quê?

    De viralatice, esperando a redenção por um tribunal que causou ou ajudou a causar o golpe?

    Mas pior que esse lixo são os sextas-feiras daqui batendo tambor para o Bwana …

    Vergonha,eu Zeus, vergonha.

  3. Rui Ribeiro

    30 de agosto de 2025 7:56 am

    Fui ali na feira e vi um livro abandonado na calçada do mercado. Fui ver do que se tratava, Língua Portuguesa, e o resgatei. Nele ha um texto cujo título é “Deus existe”, no qual se narra que um crente foi à barbearia de um barbeiro ateu, que, enquanto fazia sua barba, Declarou que o fato de haver tanta miséria e tanta ignorância no mundo é uma prova de que Deus não existe. O crente tentou, de todas as formas, convencer o barbeiro da existência de Deus. Tudo em vão. Então houve silêncio e, ao sair da barbearia, o crente viu um mendigo cabeludo e barbudo. Então ele voltou e disse ao barbeiro que não acreditava na existência de barbeiro.

    – Como pode barbeiro nao existir, se eu acabei de atendê-lo? – retrucou o barbeiro ateu.

    – Ora, se existissem barbeiros, aquele mendigo não estaria barbudo nem cabeludo – respondeu o cliente crente.

    O barbeiro contra-argumenta: “Esse mendigo sempre recebe esmola. Ele poderia vir aqui com o produto da sua mendicância e eu faria dele um novo homem. Se ele tá cabeludo e barbudo, a culpa é dele, nao minha.

    O crente lacra:

    “Se há miséria e ignorância no mundo, a culpa não é de Deus, é dos próprios miseráveis e ignorantes, que não buscam a Deus”.

    Aí, enquanto rôo as unhas, fico a pensar que os trabalhadores que perderem o emprego e os capitalistas que falirem em decorrência do tarifaço do Laranjão com cérebro de toucinho, são culpados dos seus próprios destinos, por não buscarem a Deus. A culpa não é de quem detém o poder econômico, que patrocinou o golpe frustrado e apóia a familícia Bostonaro; a culpa não é de quem detém o poder político, que, pago com dinheiro público, está nos EUA tramando nos EUA cobtra o Brasil, em vez de buscar a Deus; a culpa nao é de quem detém o poder religioso, que falando Deus e kct aos 4 Ventos, apóia a familícia e se aproveita da boa-fé de fiéis ingênuos, em vez de viverem de verdade os ensinamentos e exemplos de Jesus Cristo.

    Kct, $ilas Malacheia!

  4. Rui Ribeiro

    30 de agosto de 2025 11:23 am

    O inciso II, do § 5º, do art. 903, do CPC, dispõe que, se, antes de expedida a carta de arrematação ou a ordem de entrega, o executado alegar alguma das situações previstas no § 1º do mencionado art. 903, do CPC, o arrematante poderá desistir da arrematação, sendo-lhe imediatamente devolvido o depósito que tiver feito. Por sua vez, o § 4º, do multicitado art. 903 do CPC, estabelece que, passado o prazo de dez dias após o aperfeiçoamento da arrematação, o executado tem o direito de pleitear apenas a invalidação da arrematação, e isso através de ação anulatória. Por outro lado, de acordo com a legislação processual civil, a arrematação é ineficaz em relação, entre outros,
    aos credores fiduciário e hipotecário não intimados da alienação judicial com pelo menos cinco dias de antecedência. Por seu turno, o caput do art. 223 do CPC preceitua que, decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. Ora, decorrido o prazo de dez dias após o aperfeiçoamento da arrematação, extingue-se o direito da parte executada pleitear a ineficácia da arrematação por ausência de intimação dos credores hipotecário e fiduciário da alienação judicial com pelo menos cinco dias de antecedência. Vencido tal prazo, apenas os credores fiduciário e hipotecário têm o direito de pleitear a ineficácia da arrematação. Logo, ao pleitear a ineficácia da arrematação após dez dias da ciência do aperfeiçoamento da arrematação, a parte executada pleiteia direito alheio em nome próprio, sem autorização do ordenamento jurídico para fazê-lo, ao arrepio do disposto no art. 18, do CPC.

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